Todo estudo científico deseja de alguma forma entender o funcionamento do mundo. Resumindo, um cientista deseja provar uma relação de casualidade entre dois fatores. Em outras palavras, X causa Y, e não o contrário. Y é um resultado de X. Faça X e alcançará o resultado Y. Simples na teoria, mas complicado na prática.
Após a breve explicação acima, vamos ao tema “o modelo de zona de conforto nunca foi testado”, e as poucas tentativas de teste não chegaram a nenhuma conclusão.
O modelo de zona de conforto diz que para alcançar um determinado resultado você deve sair da sua zona de conforto ou expandi-la. A receita indica que você faça um esforço extra para sair da estagnação que você acha que está. E assim, você irá alcançar o resultado que tanto almeja. Essa estagnação vem da percepção de que o momento que você está vivendo não é desafiador o suficiente e, portanto, você está sem motivação para mudar. Ou você está com medo e por isso não faz a mudança, porque quem tem medo não age. Até aqui, tudo bem!
O problema é que a ciência não consegue provar que todo esforço ou sacrifício vai gerar o resultado positivo que se deseja. Ao contrário, os estudos científicos têm mostrado que expor o indivíduo ao estresse muitas das vezes gera mais estresse e ansiedade, e o resultado obtido é pior, e não melhor, como se esperava.
Para fins históricos vamos registrar que o modelo de zona de conforto nasceu nos centros de treinamento de esportes radicais. Um método aplicado pelos treinadores para estimular seus atletas a fazerem coisas radicais, irem além de seus próprios limites e medos. Para que o atleta tentasse fazer algo além das suas crenças internas sobre suas capacidades, os treinadores criavam um ambiente totalmente seguro que minimiza o risco e isso encoraja os atletas a irem além de seus limites.
Assim, se você quiser aplicar o modelo de zona de conforto em qualquer área da sua vida, para emagrecer, para entrar no mundo dos negócios, para fazer lives no Instagram, para saltar de paraquedas ou parkour em Taubaté, é fundamental que você crie ou esteja em um ambiente totalmente seguro que minimize o risco que você está com medo de enfrentar. À medida que, você vai criando confiança você vai aumentando à exposição ao risco.
Este texto tem como objetivo lembrar a você que o modelo de zona de conforto é só uma metáfora, e não uma relação de causalidade. Para dar certo, é essencial que você gere confiança no ambiente ao seu redor. Radicalismo, mudanças da noite para o dia, metas ousadas são apenas correlações que às vezes funcionam para algumas pessoas.
Além disso, não nos esqueçamos de que somos agentes econômicos racionais, e por isso nosso principal objetivo é atingir o máximo de bem-estar, fazendo uso eficiente das informações disponíveis. Então, por que agiríamos irracionalmente saindo do nosso estado confortável em direção à zona de desconforto? Você está me dizendo agora, porque eu sei que o resultado futuro maximiza o meu bem estar. E eu te respondo: - Não falhe! Porque se você falhar, você vai ter experimentado a frustração, e na próxima decisão, ela vai pesar.
Depois que descobri como o “modelo de zona de conforto” realmente deveria funcionar e com qual propósito ele foi criado, eu gosto de dizer que estou buscando a minha zona de conforto, porque a situação atual é desconfortável. Faz mais sentido para mim, enquanto agente racional de racionalidade limitada, diga-se de passagem.
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