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As cinco crenças limitantes mais comuns entre os empreendedores brasileiros

Embora nós tenhamos consciência do sangue empreendedor que corre em nossas veias, estamos cercados por padrões de pensamentos que nos impedem de crescer e prosperar em nossos negócios. Não é à toa que o IBGE em 2017 registrou que seis em cada dez empresas no Brasil encerram suas atividades no prazo de cinco anos.  

Esses padrões de pensamentos são as crenças limitantes. São ideias consideradas verdades absolutas apreendidas ao longo da vida, transmitidas entre as gerações e divulgadas nas novelas. Essas crenças reforçam atitudes e comportamentos que agem como uma capa de autoproteção e são aceitas sem questionamentos. São verdades que foram construídas ao longo do tempo, mas que perderam o sentido no momento atual. Elas são limitantes porque impedem que as pessoas ajam conforme suas próprias vontades, assim deixam-se levar pela opinião do outro ou por uma regra social. Elas são tão fortes que permeiam todas as áreas de nossas vidas.

Saiba quais são as cinco crenças limitantes mais comuns entre os empreendedores brasileiros e como elas impedem a prosperidade de seus negócios.

1) Não se enxergam como empreendedores

Muita gente começa empreender sem a intenção de ganhar dinheiro, ou seja, sem o objetivo de se sustentar com este negócio. Então, como a pessoa não vê aquilo que ela faz com um negócio propriamente dito, capaz de gerar lucro e com vida própria, obviamente ela não se vê como um empreendedor. Ao invés disso, a pessoa se vê como um arrimo de família. Essa visão distorcida de si mesmo aparece no modo como ela oferece o produto, como ela se apresenta aos clientes e fornecedores e no discurso que ela tem.  Essa crença limitante causa uma inversão no processo de venda, pois a pessoa que compra cumpre um papel altruísta como se estivesse fazendo um favor. Não é o vendedor que está resolvendo um problema do comprador. É comum observarmos esse comportamento entre artesãos, aposentados e donas de casa, por exemplo. O fato de ser um artista, de já ter uma fonte de renda principal ou de trabalhar em casa atuam como reforçadores desse comportamento. Isso desencadeia uma serie de outras crenças limitantes que emperram os negócios.  

A partir de hoje, caso identifique essa crença em você, sugiro que erga os ombros ao falar com clientes e fornecedores. Se apresente como dono do negócio, a empresária, o empreendedor. Valorize o seu produto e a sua capacidade de produzi-lo. Veja como o seu vocabulário pode mudar tudo:

Não use: “Eu vendo salgadinhos!” A partir de hoje: “Eu sou dona de uma empresa especializada em salgados para festas. Nosso diferencial é ser caseiro, assim garantimos que cada salgado tenha um sabor especial, bem característico. Não é um monte de salgado com o mesmo gosto”.

Não use: “Você compra essa pulseirinha aqui para me ajudar”. A minha empresa produz acessórios artesanais. Nosso diferencial é criar peças exclusivas utilizando materiais extraídos da natureza, valorizando a criatividade e o passado histórico da região.

Etc, etc, etc...

Pode parecer ridículo, mas faz toda diferença. A crença seguinte é uma consequência dessa.

2) Não enxergam o seu trabalho como um negócio, mas um quebra-galho.

Dado que muitos negócios começam espontaneamente sem uma intenção clara de se tornar uma pessoa jurídica independente, os empreendedores, que se quer se veem como empreendedores, como já vimos acima, encaram esse negócio como um mero quebra-galho, um complemento da renda. E talvez por isso, nunca deem o próximo passo. Ou quando têm coragem para dar o próximo passo, ele é feito sem planejamento e acaba sendo um passo maior que a perna. Essa visão sobre o negócio é comum entre os que ganham muito e também entre os que ganham pouco. Se a renda principal é suficiente para cobrir todas as despesas da família, o indivíduo entende que não precisa da renda gerada por aquilo que ele produz fora do trabalho formal. Por outro lado, entre aqueles que ganham pouco, é evidente que o negócio tem o objetivo de complementar a renda. O problema é que o negócio só serve para atingir aquele máximo suficiente para garantir a sobrevivência. Em ambas as situações, o negócio não passa de um quebra-galho, embora os mais ricos chamem de hobby ou ambiente para a realização pessoal.  A partir dessa crença, a gente se apega ao nosso emprego, ao nosso padrão de vida, ao nosso estilo de vida, a nossa esperteza e começa a duvidar de nós mesmos, da qualidade do produto, da solução que estamos propondo. A gente não se dedica ao nosso negócio o quanto deveria, e aquela ideia boa se perde.

A partir de hoje, caso você veja o seu negócio como um quebra-galho ou um hobby, busque identificar os medos que te limitam ao pensar em viver exclusivamente da renda provida pelo seu negócio. E, a partir daí, procure uma solução para cada problema e coloque em prática uma solução por vez. Você não precisa abandonar o seu emprego, você só precisa lidar de forma profissional com o seu negócio. Pense se os dois exemplos abaixo já passaram pela sua cabeça:

Tenho medo que o meu negócio não gere a renda que eu preciso para manter o padrão de vida atual da minha família. 

Essa é uma boa meta inicial: o meu negócio tem que gerar de pro-labore para mim o mesmo que eu ganho no meu emprego atual. O seu compromisso é fazer isso acontecer, não largar o seu emprego, mas dobrar o seu salário.

Tenho medo de quebrar, ficar endividado e todo mundo ficar sabendo. E acharem que eu sou incompetente, que eu não sou tão boa assim.

Primeiro, das contas da sua empresa cuida você, e ninguém tem nada a ver com isso. Segundo, estude, faça cursos, ponha a mão na massa, pague consultoria. Faça o que for preciso para ser um excelente empresário e empresária, os riscos de quebrar reduzem drasticamente.

Se ainda está aí, vamos para a terceira crente limitante do empreendedor.

3) Se julgam incapazes e procrastinam quando devem lidar com as coisas novas e burocráticas

Essa crença é uma implicação das crenças anteriores. Na vida real funciona assim: a pessoa cozinha muito bem, começa um negócio de comida, mas não consegue lidar com as habilidades necessárias exigidas a um empresário. Muitos negócios começam com uma única pessoa que terá que se desdobrar em muitas. O cozinheiro tem que cuidar da comida, das contas, dos recursos humanos, da logística e do marketing. O negócio começa ir para o brejo porque a pessoa não consegue fazer a precificação correta do produto, ela não consegue se destacar nas redes sociais, ela não consegue negociar. Ela acha que o talento dela é suficiente. Ela se esforça para afastar-se das atividades que ela não tem afinidade ou não executa porque vai demandar um aprendizado que não vai acontecer de uma hora para outra. Ela não se interessa em aprender como usar o computador e outras ferramentas necessárias para o desenvolvimento do negócio: um editor de planilha, um editor de fotos, uma rede social ou um email. Isso desencadeia o maior paralisante de todos: o discurso da vítima. Aí, tudo começar a ficar muito difícil, ela se sente sozinha e desamparada, o negócio quebra e a culpa é de quem não a ajudou, de quem não a apoiou, de quem não fez o papel de empresário para ela.

A partir de hoje, caso você identifique que existe alguma habilidade burocrática relacionada a seu negócio que você não domine pare imediatamente onde está e vai lá aprender. Quando o seu negócio crescer você terá condições de contratar pessoas capazes para fazer o que você não gosta. Mas para chegar lá, você vai ter que se virar com você mesmo. Pense nisso como uma habilidade que você está adquirido para selecionar melhor as pessoas que vão trabalhar com você no futuro.

A crença limitante seguinte é mesma que a anterior, mas com um toque de glamour.

4) Nunca tem tempo para estudar porque acham que se ocupar com as tarefas do negócio é o mais importante

Essa crença é um jeito mais sofisticado para disfarçar a vitimização. O indivíduo até seria capaz de fazer o que precisa ser feito, mas ele não tem tempo porque está ocupado com as atividades operacionais do negócio. Ele não tem tempo para pensar e agir estrategicamente. Afinal, ele está começando sozinho, e por mais que ele se desdobre ele não consegue dar conta de tudo.

É óbvio que a pessoa não vai conseguir dar conta de tudo. Por isso, deve-se ter maturidade para escolher o que fazer, ou seja, pensar estrategicamente. A partir de hoje, caso você se encontre nesse dilema, pergunte-se: Dentro do universo de coisas e problemas ao meu redor qual é a atividade mais importante que eu preciso fazer?  Vejamos no exemplo:

Meu problema é que o meu negócio não está faturando bem, preciso vender mais.  

Pergunte-se: qual é a causa da venda baixa? O produto não é bom o suficiente, o preço não está correto, minha empresa não se destaca entre os concorrentes? O objetivo é identificar a causa do problema para melhor corrigi-lo. É muito provável que a ação de correção melhore outras áreas da empresa. O empreendedor tem que ter em mente que a solução do problema não está exclusivamente no lado operacional da empresa, ou seja, o produto nem sempre é o problema. Conhecer e estudar o ambiente externo e os processos internos permite que o empreendedor vá além daquilo que ele está acostumado a ver.  

E para finalizar, o milagre.

5) Acreditam que o sangue empreendedor é suficiente para tornar o seu quebra galho em um grande negócio

Essa crença limitante poderia ser chamada de “a espera de um milagre”. Quem admitiria que está começando um negócio sem perspectivas de ganhar dinheiro, de ser bem sucedido e de ficar rico. Muitas das pessoas que não reconhecem ter alguma dessas crenças limitantes em relação ao seu lado empresarial acreditam que uma hora vai dar certo. Então, mesmo não lidando de forma profissional com seu negócio no dia a dia, essas pessoas contam com o dia que vai aparecer um benfeitor, uma mão amiga, uma oportunidade e a situação vai mudar. Creem que existam olheiros no mundo empresarial como no futebol e a pessoa vai descobrir e investir no seu talento. Entretanto, no mundo dos negócios, os olheiros não estão buscando talentos, mas sim oportunidades de ganhar dinheiro. Quando você tem uma ideia ou um produto legal, e isso é reconhecido pelo outro, ele te copia e pode ser até melhor que você.

E não adianta choramingar, pois o mercado é de livre entrada e de saída, não existem barreiras. E é isso que deu a oportunidade a você para participar do mercado. Existem os direitos e as patentes? Sim, existem. Mas, se você quando começou nunca levou o seu negócio a sério o suficiente, você terá que provar que a ideia é sua porque nunca achou que ela era boa o suficiente e não se preocupou em registrá-la.

Essas são as crenças limitantes dos empreendedores. Não pensem que eu estou imune a elas. Vira e mexe eu me pego choramingando pelos cantos porque não estou dando conta de tudo que deveria. Reconhecer que as nossas fraquezas não são imutáveis é o primeiro passo para progredirmos. E aí, tem mais um crença limitante que está te impedindo de crescer? Conta para mim aqui nos comentários. 

 

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